Em dez de novembro de 1977, foi inaugurado oficialmente pelo Exmo.
Sr. Vice-Presidente da República, General Adalberto Pereira dos Santos, o Entroncamento
Rodo-Ferro-Hidroviário de Estrela, primeiro do gênero no Brasil.
Localizado na margem esquerda do Rio Taquari, na região denominada Vale do
Taquari, distante, por hidrovia, 142 Km de Porto Alegre e 450 Km do Porto de Rio Grande,
o Terminal de Estrela é um dos mais importantes portos da navegação interior do País,
ocupando posição de destaque no rol das unidades componentes do Sistema Portuário
Nacional.
Em virtude das frustrações das safras de soja e trigo e do
atraso verificado na conclusão das obras de duas indústrias de óleo de soja
que estavam se instalando na área portuária, Indústria Gaúcha de Farelos e Óleos -
FAROL e Granóleo, somente a partir do segundo semestre de 1978 é que o terminal passa
a ter uma movimentação significativa.
Nos anos de 1979 e 1980 a movimentação portuária alcançou a faixa das
580.000 toneladas/ano. Na concepção do Entroncamento, foi previsto que a movimentação
de grãos através do silo vertical seria maior que no armazém graneleiro, o que não se
verificou na prática. A movimentação de farelo de soja, que na época do projeto foi
considerada como secundária, passou a ser a principal carga do terminal, ocasionando
problemas de armazenagem, em vista do porto dispor apenas de um armazém graneleiro com
capacidade para 12.000 toneladas.
Assim sendo, foi decidida a construção de um novo
espaço com capacidade para 38.000 toneladas de farelo de soja, tendo
as obras sido iniciadas em junho de 1980 e concluídas em setembro do ano seguinte.
Nos anos 80, o Porto Fluvial de Estrela atingiu o seu auge. A partir de 1981 o volume
de carga movimentada cresce ano após ano até atingir o patamar anual de 1.000.000 de
toneladas no período de 1986 a 1989, sendo que em 1987 a movimentação portuária atingiu
o seu máximo, 1.300.000 toneladas. Destes totais, cerca de 60 % dos produtos eram de
origem agrícola, sob a forma de granéis.
Com o desenvolvimento da avicultura e da suinocultura,
importantes atividades econômicas da região, cresce o significado do Porto Fluvial
de Estrela, haja visto que grande parte do milho utilizado na fabricação de rações
era importado através da hidrovia. Assim, a movimentação deste cereal traz um
incremento significativo à movimentação portuária. Neste mesmo período, a cultura do
trigo no Estado teve o seu melhor momento, sendo que o País praticamente alcançou a
auto-suficiência deste cereal.
O Porto de Estrela que servia como unidade armazenadora de trigo, com
o objetivo de manter os estoques reguladores aos moinhos da região, passa a exportar
este produto por hidrovia, a fim de atender a demanda da indústria moageira do
norte e nordeste do País, através da cabotagem a partir do Porto de Rio Grande.
Nos anos de 1990 e 1991, com as mudanças na política nacional e o início da
globalização do setor agrícola, inicia uma nova fase do Entroncamento
Rodo-Ferro-Hidroviário de Estrela. Nesta época, a PORTOBRÁS, a qual o Porto
Fluvial de Estrela era vinculado, é extinta pelo Governo Federal.
Após um período de transição, a administração portuária,
através de um convênio firmado entre o Ministério dos Transportes e a Companhia
Docas do Estado de São Paulo - CODESP, que administra o Porto de Santos, passa a
ser subordinada a esta última. No início da década de 90, várias empresas do
complexo soja que operavam no porto encerram suas atividades; outras, redirecionam
sua produção para o mercado interno, fatores estes que provocaram significativas
mudanças na movimentação portuária.
A extinção do Departamento Nacional do Trigo - CTRIN foi um
duro golpe na produção do trigo nacional. De um País quase auto-suficiente neste
cereal, passamos a situação de dependência, quase que total, do trigo importado,
principalmente argentino e canadense, alterando radicalmente a comercialização do
produto no mercado interno.
Ao contrário da cultura do trigo, a produção nacional de milho
cresceu significativamente, não sendo mais necessária a importação deste produto.
Todos estes fatores contribuíram para que a movimentação do Entroncamento
sofresse mudanças acentuadas. Com o objetivo de atrair novos clientes, o Porto
Fluvial de Estrela, a partir de 1996, passa a operar com armazenagem e
transbordo ferro-rodoviário, aumentando o número de usuários e diversificando
as cargas, a qual estabiliza-se na faixa de 600.000 toneladas / ano. No ano de
1996, na busca de novas alternativas, a Administração do Porto passa a investir
no Terminal de Containers, tentando modificar o perfil da carga movimentada no
Entroncamento.
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